Lesson Transcript

Lucas Lacerda: Camila. Nossa, que chuva na rua.
Camila Correia: Lucas. Oi. Eu fiz café. Tem um cafezinho bem quente ali na cozinha. O pão de forma estava velho, com um aspecto muito estranho, então joguei fora. Mas encontrei biscoito no armário. Aquele pacote vermelho, sabe? Biscoito de chocolate. Comi quase tudo porque eu estava morrendo de fome.
Lucas Lacerda: Obrigado. Eu não tenho muita fome agora. Só estou muito cansado. O trânsito de São Paulo estava horrível hoje. Demorei uma hora no ônibus. Mas, me tira uma dúvida... como você entrou aqui hoje?
Camila Correia: Eu tenho a chave. Você me deu uma chave extra em fevereiro. Você perdeu a sua no metrô, lembra? E eu precisava vir aqui para regar as suas plantas quando você viajou para o interior.
Lucas Lacerda: Minhas plantas estão mortas. Todas elas. Eu esqueci de colocar água por um mês.
Camila Correia: Estão. Faz muito tempo. O cacto também morreu. Como um cacto morre, Lucas? Cactos são do deserto. Mas eu ainda tenho a chave na minha bolsa. Então, aqui estou eu. No seu sofá.
Lucas Lacerda: É, eu vejo isso. E a TV está ligada. Quanto tempo até você ir embora? Eu preciso muito tomar um banho quente e deitar. Meu corpo todo dói.
Camila Correia: Depende. Depende de você me convencer que a vida vale a pena antes de eu perder a fé na humanidade. Eu estou muito, muito cansadinha. O meu dia foi um desastre do começo ao fim.
Camila Correia: Onze clientes. Onze pessoas diferentes. Em doze horas de trabalho direto. A temporada fiscal é um pesadelo absoluto. Eu sou contadora, eu gosto de sentar, olhar os números e organizar planilhas em silêncio. Eu não gosto de pessoas gritando comigo no telefone o dia inteiro.
Lucas Lacerda: Caramba. Onze clientes no mesmo dia? Isso é muito trabalho.
Camila Correia: Muito! Hoje foi o pico da temporada fiscal. As pessoas deixam tudo para a última hora, né? Eles mandam recibos amassados de supermercado e esperam milagres. Aí, um cliente chamado Roberto me ligou às onze da noite. Às onze da noite! Só para perguntar se o vale-refeição conta como benefício tributável. Eu juro para você, eu quase chorei na frente do computador.
Lucas Lacerda: E conta? O vale-refeição?
Camila Correia: Conta. Claro que conta. A lei é muito clara sobre isso. Mas não era para isso que eu estava quase chorando. É que ninguém lê os e-mails que eu mando. Eu explico tudo direitinho, aí eles ligam de madrugada para perguntar a mesma coisa. Minhas costas doem muito de ficar na cadeira. Eu estou exausta.
Lucas Lacerda: Eu entendo perfeitamente. Toma mais um pouquinho de café.
Camila Correia: Obrigada. E você? O que aconteceu? Você parece pior do que eu hoje. Sua cara está péssima.
Lucas Lacerda: Eu fiz dois plantões seguidos no hospital. Uma loucura total. O hospital estava lotado. Tinha muita gente na emergência. A colega do turno da tarde desmaiou no corredor. Ela não comeu nada o dia todo, tomou muito café ruim e passou mal. Ironicamente, ela é enfermeira e esqueceu de cuidar da própria saúde. Aí eu cobri o turno dela.
Camila Correia: Nossa! Desmaiou mesmo? E você ficou direto?
Lucas Lacerda: Sim. Vinte e quatro horas. E a máquina de café quebrou à noite. Eu vi o sol nascer pela janela do hospital. Depois eu vi o sol passar o dia todo no céu. E vi o sol se pôr. E eu ainda estava no mesmo corredor, com o mesmo uniforme branco. Andando de um quarto para o outro.
Camila Correia: Lucas... isso é desumano.
Lucas Lacerda: Eu sei. Mas é a minha profissão.
Camila Correia: A gente precisa sair da cidade. Urgente. São Paulo está acabando com a gente aos poucos. Eu não aguento mais ver trânsito, tela de computador, imposto de renda e poluição. Precisamos de paz e silêncio.
Lucas Lacerda: Eu estava pensando exatamente isso no ônibus. A gente precisa de ar puro. Um lugar com árvores e sem barulho de sirene.
Lucas Lacerda: Campos do Jordão.
Camila Correia: Hmm. Campos do Jordão? Fica muito cheio nessa época do ano, não acha?
Lucas Lacerda: Não importa. Fica na Serra da Mantiqueira. É perto daqui, umas duas horas de carro, mas parece outro mundo. A arquitetura parece a Europa. Frio de verdade. Lareira para aquecer a noite toda. Floresta de Araucárias gigante. A gente acorda de manhã sem o alarme do celular tocar. Faz uma trilha rapidinho de manhã—
Camila Correia: Espera. Parou aí. Voltei para a parte da trilha. Que história é essa de trilha, Lucas? Eu não corro nem para pegar o ônibus.
Lucas Lacerda: Ah, é uma trilha muito fácil, tipo uma caminhada tranquila na natureza. Trilha pelo Pico do Itapeva. É lindo lá de cima! Dá para ver o vale inteiro. Depois da caminhada, a gente desce e tem um almoço com fondue ou truta do rio. Truta bem fresca, com batatas. E depois, a tarde livre inteira para descansar—
Camila Correia: Fondue eu ouço. Gosto muito dessa palavra. Queijo derretido resolve qualquer problema da vida adulta. Se tem fondue de queijo, eu aceito caminhar um pouquinho.
Lucas Lacerda: Com certeza. Tem fondue de queijo e de chocolate. E à noite, a gente fica na frente da lareira com quentão.
Camila Correia: O que é quentão? Nunca tomei isso na minha vida. É chá?
Lucas Lacerda: Nossa! Como assim você não conhece quentão? Você mora no Brasil! É o motivo de Campos do Jordão existir no frio. É cachaça quente com muitas especiarias. Tipo gengibre, canela e cravo. É perfeito. Você bebe um pouquinho e a vida faz sentido de novo. O corpo fica bem quente e você esquece todos os clientes e recibos amassados.
Camila Correia: Ok. Você tem minha atenção agora. Gengibre e queijo derretido. Continue falando. Mas lembra que eu gosto de conforto, tá?
Lucas Lacerda: A questão principal agora é o estilo da viagem. Onde a gente vai dormir. Eu amo a natureza. Então, eu estava pensando em acampar—
Camila Correia: Não. Definitivamente não.
Lucas Lacerda: É só por uma noite! Fica no meio do mato, a gente respira ar puro, é super relaxante—
Camila Correia: Lucas. Eu te conheço. Não começa.
Lucas Lacerda: Eu tenho uma barraca muito boa guardada. A gente leva um bom isolamento térmico para colocar no chão, um saco de dormir bem grosso para o frio da montanha, a gente acende uma fogueira pequena—
Camila Correia: Lucas, olha bem para o meu rosto. Você me vê cara de campista?
Lucas Lacerda: ...Não. Realmente, não vejo.
Camila Correia: Obrigada. Então não acampamos. Zero chance de dormir no chão duro. A última vez que eu fui acampar, eu tinha quinze anos, choveu a noite toda, a barraca ficou cheia de água e eu não dormi um minuto. Eu trabalho demais o ano todo para dormir na terra agora.
Lucas Lacerda: Tudo bem, tudo bem. Sem acampamento tradicional. Então um chalé. Um chalé de madeira bem aconchegante com lareira no quarto.
Camila Correia: Isso sim estou ouvindo com muita atenção. Um chalé é excelente. Tem telhado de verdade.
Lucas Lacerda: Mas chalé bom custa dinheiro. Especialmente em Campos do Jordão na época do frio. Você quer dividir as despesas da hospedagem?
Camila Correia: Divide, sim. Eu divido com você. Mas tenho algumas regras inegociáveis. Desde que o banheiro seja privativo, o colchão seja de verdade e não haja nenhuma criatura viva entrando pela janela às três da manhã. Eu não lido com sapos e aranhas.
Lucas Lacerda: Insetos estão proibidos na sua presença?
Camila Correia: Totalmente proibidos. A natureza fica do lado de fora da porta.
Camila Correia: Deixa eu procurar aqui no aplicativo de hotéis. Olha essa opção. Pousada Fazenda da Serra. É uma propriedade rural muito bonita. Tem cama king size enorme, café da manhã incluso com muitas frutas e bolos, e uma vista panorâmica para o vale. Muito confortável. Oitocentos reais a diária.
Lucas Lacerda: Caramba! Oitocentos reais? Por pessoa?
Camila Correia: Não, por apartamento. O quarto todo custa isso por noite.
Lucas Lacerda: Ok, deixa eu fazer as contas. Dividido por dois, fica quatrocentos reais para cada um, por dia. Mais ou menos isso.
Camila Correia: Sim. Para dois dias, sexta e sábado, são mil e seiscentos cada um no total da viagem. Lucas, estamos no pico da crise fiscal. Eu sei fazer as contas da minha vida. A gasolina está cara, o pedágio na Rodovia Fernão Dias custa dinheiro, a gente vai comer fondue que não é barato. Mil e seiscentos é muito caro.
Lucas Lacerda: Tenda: cento e cinquenta reais. Para o fim de semana inteiro.
Camila Correia: Lucas—
Lucas Lacerda: Estou só colocando no horizonte. É uma opção bem mais econômica. A gente economiza para comer melhor.
Camila Correia: A tenda não existe no horizonte. A tenda está em um universo paralelo onde eu não moro e não visito. Apaga a palavra tenda da sua memória.
Lucas Lacerda: Espera. Achei uma coisa diferente. Existe isso aqui no site. Deixa eu ler. "Glamping". Você já ouviu falar?
Camila Correia: Glamping. Que palavra é essa? Parece coisa de blogueira de internet.
Lucas Lacerda: É acampamento de luxo. Junta o glamour com o camping. É tipo uma tenda permanente, bem grande, montada em cima de uma plataforma de madeira fixa. Tem cama de verdade com lençol bom. Tem tomada na parede para carregar o celular. E o mais importante: banheiro separado e privativo, a dez metros da estrutura principal.
Camila Correia: Banheiro privativo? Só para nós dois? Sem fila?
Lucas Lacerda: Privativo. Só nosso. Ninguém mais usa. Tem até água quente no chuveiro.
Camila Correia: E cama de verdade? Tem certeza que não é um colchão inflável no chão?
Lucas Lacerda: Cama de verdade. Muito confortável, com edredom grosso. Leia as avaliações dos clientes no aplicativo. O pessoal escreve muito bem sobre o lugar. Tem cinco estrelas.
Camila Correia: Vamos ver o que as pessoas falam... "Camas comodíssimas, tive a melhor noite de sono em anos." Ok, isso é muito bom. Eu preciso muito dormir. Minha coluna agradece.
Lucas Lacerda: Continue lendo as avaliações. Tem mais coisas boas sobre o serviço.
Camila Correia: "Vista linda para o vale, acordar com o canto dos pássaros de manhã." Isso é tolerável. Pássaros são fofinhos, de longe. Desde que não entrem no quarto.
Lucas Lacerda: Continue. Vai até o final da página. Lê o comentário daquela mulher ali.
Camila Correia: "A dona faz pão de queijo artesanal toda manhã antes das sete. Ainda quente quando chega."
Lucas Lacerda: E aí? O que acha?
Camila Correia: Vamos nesse. Pode reservar agora mesmo. Clica no botão de comprar.
Lucas Lacerda: Sério? Eu sabia que ia fechar com isso. Você é muito fácil de convencer quando envolve comida de Minas Gerais.
Camila Correia: Você sabia porque você me conhece bem. E sabe que a vida inteira pode ser resolvida com pão de queijo artesanal quente na montanha. Isso não é uma fraqueza. É uma prioridade bem-definida. O cheiro de queijo assado vale qualquer frio.
Lucas Lacerda: Bom, vamos organizar tudo para não ter estresse. Sexta-feira à tarde. Saída às dezessete horas, direto do meu trabalho no hospital. Assim a gente foge um pouco antes do trânsito da Rodovia Fernão Dias fechar completamente. São umas duas horas e meia até Campos do Jordão, se a pista estiver livre.
Camila Correia: Lucas, se a gente sair às dezessete horas de São Paulo, tem trânsito mesmo assim. A Fernão Dias na sexta-feira à tarde é um estacionamento gigante cheio de caminhões.
Lucas Lacerda: Se a gente sair às dezesseis horas, tem menos trânsito e chegamos para o jantar.
Camila Correia: Se sair às dezesseis, eu não terminei de atender o cliente das quinze e trinta. Não dá. A temporada fiscal não perdoa e eu preciso entregar os impostos dessa semana.
Lucas Lacerda: Dezessete e quinze então. Eu passo no seu escritório, te pego lá e a gente vai direto. Fechado?
Camila Correia: Dezessete e quinze. Sim, esse horário funciona. Aceito. Continue o cronograma da viagem.
Lucas Lacerda: Sábado de manhã. Eu acordo bem cedo, umas sete horas. Pego o pão de queijo quentinho, tomo um café rápido, coloco minha mochila e faço a trilha ao Pico do Itapeva. É a melhor hora para caminhar no mato. A vista lá de cima para as outras cidades da serra é maravilhosa. E você—
Camila Correia: Eu fico na varanda do glamping. Sentada na cadeira. Com um livro bem grosso, uma xícara de café especial gigante, usando meu cachecol de lã, e olho para as montanhas. Eu não ando nem um quilômetro no sábado de manhã.
Lucas Lacerda: ...Combinado. Não vim argumentar com você hoje. O fim de semana é de descanso para os dois e cada um descansa de um jeito.
Camila Correia: Você amadureceu muito, Lucas. Que bom. Antigamente você ia tentar me forçar a subir o morro com você.
Lucas Lacerda: Eu aprendi a respeitar seus limites com a natureza. Sábado à tarde, a gente almoça juntos. A gente pode comer fondue lá no centro, na vila de Capivari. Tem vários restaurantes ótimos. Ou a gente pode comer truta do rio assada no restaurante da pousada, que parece ser muito boa. Eu pesquiso direitinho no Google depois.
Camila Correia: Fondue. Não precisa pesquisar nada na internet. É tradição. Primeiro o fondue de queijo com pãozinho e carne. Depois, o fondue de chocolate escuro com morango e uva.
Lucas Lacerda: Fondue. Anotado no caderno. Sábado à noite, faz muito frio. Então a gente acende o fogo, come queijo-coalho na fogueira lá fora. E toma o quentão que a pousada prepara.
Camila Correia: Perfeito. Simplesmente perfeito. Nossa, isso parece maravilhoso agora. Quero que sexta-feira chegue logo.
Lucas Lacerda: Agora, a lista de bagagem. O que a gente precisa colocar na mala. Lá faz bastante frio à noite, uns cinco graus. Precisamos levar jaquetas pesadas, blusas de lã, meias grossas. E claro, tênis de trilha—
Camila Correia: Já te falei hoje, e falo de novo. Não tenho tênis de trilha. Só ando de metrô e de Uber.
Lucas Lacerda: Você tem aquele tênis de academia. Aquele azul-marinho que você usa para correr na esteira.
Camila Correia: São tênis diferentes, Lucas. Meu tênis de academia é liso embaixo. Não serve para pisar na lama ou em pedra molhada. Eu vou cair e quebrar a perna.
Lucas Lacerda: Para uma trilha bem leve em volta do chalé, eles são suficientes. Você nem vai subir montanha, só vai andar da tenda até o banheiro.
Camila Correia: Ok. Mas se eu escorregar no chão úmido e machucar o meu tornozelo no meio do mato escuro, a culpa é totalmente sua. Você vai me carregar nas costas até o hospital de Campos do Jordão.
Lucas Lacerda: ...Tênis adequado. Anotado. Cada um leva o seu. Agora, uma coisa muito importante para anotar aí: REPELENTE.
Camila Correia: REPELENTE. Sim. Em letras maiúsculas. Duas embalagens, por favor. Spray grande. Os mosquitos de São Paulo já são terríveis no verão, imagina os mosquitos gigantes da serra que moram no mato.
Lucas Lacerda: Certo. Mais coisas. Vou levar queijo coalho no isopor para a fogueira. E também um pacote pequeno de carvão para fazer um churrasco rápido, se o glamping tiver uma churrasqueira perto da nossa área—
Camila Correia: Eu verei nas avaliações do aplicativo depois se tem churrasqueira lá. Acho que li algo sobre uma área coletiva para os hóspedes.
Lucas Lacerda: Ótimo, me avisa depois. E o mais importante da minha lista: um kit de primeiros socorros—
Camila Correia: Lucas. Para. Você É o kit de primeiros socorros. Você trabalha no hospital. Para que levar uma caixa cheia de coisas pesadas?
Lucas Lacerda: Sou enfermeiro. EU SOU o kit de primeiros socorros. Mas eu não faço milagres com as mãos vazias, né? Preciso dos meus equipamentos. Band-aid, remédio para dor de cabeça, antisséptico para limpar corte, pomada para picada de inseto...
Camila Correia: Então não precisa empacotar muita coisa. Não leva a farmácia inteira. Leva só o básico e a sua inteligência.
Lucas Lacerda: Vou empacotar de qualquer forma. Hábito profissional de quem trabalha na emergência. A gente nunca sabe o que pode acontecer no meio das árvores à noite.
Lucas Lacerda: Pronto. Feito. Pagamento aprovado no cartão. Glamping Refúgio do Itapeva, sexta e sábado. A confirmação da reserva já chegou no meu e-mail com as instruções de check-in. Tudo certinho.
Camila Correia: Obrigada, Lucas. De verdade. Eu precisava muito ter algo bom para esperar nesta semana difícil. Trabalhar até sexta vai ser mais fácil agora.
Lucas Lacerda: Imagina. A gente é amigo para isso. E você me ajudou muito no pior plantão da minha vida no ano passado. Lembra? Eu cheguei aqui chorando de cansaço, e você fez arroz branco fresco e ovos mexidos na sua casa quando eu estava morrendo de fome. É recíproco. A gente se ajuda sempre.
Camila Correia: A vitória do compromisso. É lindo. Você vai para o mato sujar sua bota, e eu vou comer meu pão de queijo quentinho na varanda de madeira. Todo mundo sai feliz.
Lucas Lacerda: Exato. É o equilíbrio perfeito da nossa amizade. Agora... mudando de assunto um minutinho... você quer pedir pizza para o jantar? Minha geladeira está vazia e eu estou completamente incapaz de cozinhar qualquer coisa hoje à noite. Não consigo nem acender o fogão de tão cansado.
Camila Correia: Já estou no iFood faz cinco minutos. Já escolhi a pizzaria. Vou pedir uma pizza grande. Metade frango com catupiry, que você adora, e metade marguerita para mim. Com borda recheada, porque hoje eu mereço.
Lucas Lacerda: Que boa ideia. Você é sempre rápida. Peça também aquele bolinho de chuva que tem na padaria. A padaria da esquina que abre no app do iFood às oito da noite. Eles mandam na caixa com bastante açúcar e canela por cima. E pede um refrigerante também.
Camila Correia: Considerado e aprovado. Pizza, refrigerante e bolinho de chuva para celebrar nossa pequena fuga de São Paulo. Vai demorar uns quarenta minutos para chegar. Vou arrumar a mesa enquanto a gente espera.

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